Resumo:Este artigo critica a ontologia autoritária subjacente ao pensamento de Miguel Reale e Martin Heidegger, demonstrando como ambos, o integralista e o nazista, construíram sistemas fechados que naturalizam o ponto de vista do Estado executor e invisibilizam o cuidado concreto. A partir da escala evolutiva do “Homo erectus” (2 milhões de anos contra 300 mil do “Homo sapiens”), questiona-se a pretensão universal do Dasein heideggeriano. Se não sabemos sequer se nossos ancestrais perguntavam pelo Ser, a ontologia que faz dessa pergunta o traço definidor do humano é etnocêntrica e temporalmente cega. Em contraposição, recupera-se a ontologia sartriana, “a existência precede a essência” e a experiência literária de “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, onde o cuidado concreto (alimentar, proteger, escolher) funda a comunidade sem necessidade de angústia existencial ou formalismo jurídico. Sustenta-se que o capitalismo e a modernidade líquida nos impuseram…
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